quarta-feira, 24 junho , 2026

Amurel: preço do arroz deve continuar em alta

Em meio à pandemia do novo coronavírus, o brasileiro tem enfrentado desde março alta nos preços de produtos essenciais. Na região da Grande Tubarão, os consumidores pontuam que o aumento vai dos produtos básicos, como arroz, feijão, açúcar, leite e óleo, passa pelas verduras, frutas, legumes e até itens de limpeza.

O preço do arroz, por exemplo, valorizou mais de 100% no ano e quase 18% em apenas um mês. Por outro lado, o feijão, carne e leite, aumentaram 25%, 29% e 14% respectivamente. O setor supermercadista pontua que o aumento praticado pelo setor vem das distribuidoras e o Procon tem fiscalizado a origem dos preços abusivos.

Conforme o gerente geral da Copagro, Aclis Fortunato, há uma questão conjuntural no mercado de arroz. “O Brasil já produziu seis milhões de hectares do produto e a última safra não ultrapassou um milhão e meio de hectares. O produtor é mal remunerado faz tempo. Baixa rentabilidade e muitas pessoas se encaminhando para outras atividades. A soja ocupando o espaço do arroz. Por sobrevivência, o produtor passou a optar por outras culturas. Somado a isso, tivemos um ano que foi afetado pela pandemia e ela aumentou a demanda por produtos agrícolas, principalmente o arroz no mundo”, destaca.

Segundo Fortunato, essa necessidade fez com que os preços no primeiro semestre ficassem mais atrativos que o do mercado interno. Se exportou muito. “O varejista não acreditou no aumento do preço, enquanto o importador foi muito agressivo e comprou muito arroz. Em seis meses foi exportado a mesma quantidade de todo o ano passado”, pontua.

De acordo com o gerente da empresa de Tubarão, o dólar também favoreceu essa situação e o consumidor em casa se alimenta mais. “Estima-se 20% a mais de consumo e desta forma, o mercado de arroz foi enxugado. No médio prazo não há possibilidade de o produto baixar. Não há arroz barato no mundo. O produto no Brasil mesmo com este preço ainda está muito competitivo. É uma situação inevitável. Recomposição de margens para o produtor. Enquanto não regularizar os estoques em longo prazo, o preço não deve recuar”, assegura Fortunato.

A coordenadora do Procon de Tubarão, Andresa Fontanela, explica que foi realizada uma pesquisa de preços em 8 (oito) estabelecimentos, a fim de verificar se houve aumento nos produtos que compõe a cesta básica. Além disso, foram solicitadas as notas fiscais de entrada e saída para verificar o valor que os estabelecimentos adquiriram os produtos dos fornecedores e o valor que é repassado ao consumidor final.

Assim, somente após a análise das notas fiscais restará constatado se houve o aumento abusivo por parte dos estabelecimentos. Caso haja a comprovação do aumento abusivo nos valores, descumprimento do prazo ou não apresentação de todos os documentos solicitados, a empresa infratora será autuada. A multa pode variar a depender do tamanho do estabelecimento, natureza da infração e se há reincidência.

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), o produto comprado dos produtores pelas indústrias ficou 30% mais caro só em agosto. Assim como outros produtos da cesta básica, como óleo de soja e feijão, a alta do arroz está ligada à valorização do dólar, que torna as exportações mais lucrativas para os produtores.

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